Como resolver seus problemas usando método científico

Hey, vem cá! Preciso confessar uma coisa para você. Promete segredo? Não vai fazer bullying comigo? Sofro de uma mania séria: resolvo meus problemas usando método científico. Ele pode ser utilizado para explorar os problemas das mais diversas áreas, gerando pesquisas, como foi dito no texto “Sobre fazer ciência”. O que eu queria dizer é que também podemos utilizá-lo para nossos problemas pessoais. Pensando bem, você também pode ter essa mania, talvez só não saiba ainda.

Você certamente já teve problemas diversos durante sua vida. Por isso, vamos falar de um problema biológico universal: A PUBERDADE. Ah, a puberdade… Hormônios, espinhas, um mundo de crueldade do destino. Embarcaremos nessa fase para que você entenda como utiliza o método científico sem nem se dar conta.  A primeira etapa do método consiste na OBSERVAÇÃO: passamos a enxergar a realidade com olhos mais abertos, curiosos e atentos. É quando você, lá pelos 13 anos, está apreciando sua beleza no espelho e, de repente, nota algo estranho: um ponto vermelho bem no meio do seu rosto. O que acabou de surgir? Você encontrou um PROBLEMA, algo que precisa ser resolvido ou respondido.  Você tem uma festa da turma no final de semana e não seria nada legal ter uma espinha no meio da testa: esse é um problema daqueles, um problema de RELEVÂNCIA. Relevância é algo muito apreciado na Ciência, meu amigo. Seu OBJETIVO é resolver o problema.

 

A triste realidade de todo adolescente.

Agora, você vai estudar a situação até que seja possível partir para a próxima etapa: a elaboração de uma HIPÓTESE – algo que você quer verificar com esse processo. Você pode criar a hipótese de que esse ser que habita sua face – a acne – poderá ser expulso com uma bela espremida. Para responder a essa questão e atingir seu objetivo, você cria uma METODOLOGIA: vai espremer a espinha com a mão higienizada, com os dois dedos a 180 graus,  durante 10 segundos. Agora temos um método, e basta segui-lo até que você tenha os RESULTADOS. Bom, digamos que os resultados não foram muito legais. A mancha vermelha de 2 milímetros, que estava visível a 2 metros de distância, agora mede 8 milímetros e está visível a 10 metros. Além disso, sua testa está dolorida, com marcas de unha, e sua mãe está curiosa, querendo saber o que você fez. Seu irmão mais novo aponta para sua cara e dá risada. Meu caro amigo, agora podemos ir para a sexta etapa, a CONCLUSÃO: você não deveria ter mexido na espinha dessa maneira bruta. Ela é um ser indomável, que não gosta que lhe mandem embora de uma vez. Ainda é possível você elaborar uma DISCUSSÃO, que inclui aquilo que você poderia ter feito melhor, e quais as implicâncias da sua pesquisa. Outros métodos devem ser explorados. Você viu? Utilizou o método científico para resolver um problema quase universal. Uma pena que não funcionou, mas o processo é esse! Contam que Thomas Edison criou a lâmpada elétrica após 10000 tentativas. Quando o método científico não traz uma conclusão desejada, basta voltar atrás e tentar mais uma vez – de preferência, de um novo jeito.

 

Método Científico 2

Agora, pense que você e eu vivemos em um mundo lotado de problemas! Eles estão presentes na educação, no meio ambiente, na saúde, e convivemos com muitos deles todos os dias. Nós, humanos, somos seres curiosos, interessados em muitos assuntos: queremos conhecer cada galáxia e, ao mesmo tempo, desejamos viver melhor em nossas cidades, no pedacinho de mundo que ocupamos. Sabemos que podemos utilizar o método científico para propor soluções para os problemas que existem, e avaliar se essas soluções funcionam.

Muito se fala hoje sobre aquecimento global, e sobre como ele pode ser provocado pela emissão de dióxido de carbono (CO2), na indústria ou em nossas tarefas diárias. As plantas podem absorver esse gás através da fotossíntese, mas não de forma suficiente para acabar com o processo de aquecimento. Em 2007, pensando sobre esse PROBLEMA,  eu,  a Vivi e a Gabi – colegas no 1º ano do Ensino Médio – decidimos fazer um projeto de pesquisa na área. Nosso objetivo era calcular quanto a nossa escola emitia e absorvia de CO2. A absorção ocorreria pela extensa plantação de eucaliptos existente lá, e a emissão, pela utilização de energia elétrica, máquinas, carros, etc. Estudando mais o tema,  partimos da seguinte HIPÓTESE: a Fundação Liberato absorvia mais CO2 do que emitia. Criamos uma METODOLOGIA para avaliar essa hipótese, que consistia em catalogar todas as tarefas escolares que emitiam esse gás e calcular matematicamente a quantidade de dióxido de carbono emitida, utilizando fórmulas já  estabelecidas.  Depois,  criamos um método – um tanto amador – de contar quantas árvores a escola tinha e matematicamente calculamos quanto elas absorviam de CO2.  Pronto, agora era simples: subtrair a quantidade emitida da quantidade absorvida.  Voilà!  Temos um RESULTADO: a absorção é  maior!  A humanidade agradece!  CONCLUSÃO: a plantação de eucaliptos da escola absorve mais CO2 do que as atividades diárias são capazes de produzir. DISCUSSÃO: isso é extremamente importante para que a escola cause menos impacto ambiental.

Simples, né? Essa foi minha primeira pesquisa: levamos 30 dias para realizá-la e depois fomos selecionadas para apresentá-la na FEBRACE de 2008,  uma grande Feira de Ciências que ocorre todos os anos em São Paulo. Por conta disso,  pudemos conhecer a cidade e viver uma viagem inesquecível. Na cerimônia de premiação, não esperávamos ganhar nenhum prêmio.  Qual não foi nossa surpresa quando nos chamaram ao palco para receber uma menção honrosa da Sociedade Americana de Meteorologia! Gritamos,  choramos, mandamos beijos para mãe, pai e Xuxa… Enquanto isso, não percebemos que todos os projetos da área de Meio Ambiente estavam recebendo esse mesmo prêmio! Acontece, né, gente?

O Método Científico pode ser utilizado para qualquer situação, desde contornar notas baixas na escola, criando uma hipótese de que mais estudo pode resultar em melhores notas; até a resolução de problemas na Saúde, Educação. O processo científico pode ser seu aliado! Quem sabe você começa a pensar nele como uma ferramenta para resolver um problema do seu bairro, da sua cidade, ou do nosso país?

Líder Beta. Sonha em viver uma vida com propósito e não consegue acreditar que isso exista sem pensar no coletivo. Já achou que seria cantora de axé e atriz de novela, fez curso Técnico de Química, hoje faz Medicina. Mas não costuma se definir, pois sabe que está em constante mudança, sendo sua eterna versão beta.

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About Kawoana Vianna

Líder Beta. Sonha em viver uma vida com propósito e não consegue acreditar que isso exista sem pensar no coletivo. Já achou que seria cantora de axé e atriz de novela, fez curso Técnico de Química, hoje faz Medicina. Mas não costuma se definir, pois sabe que está em constante mudança, sendo sua eterna versão beta.