Guia nada prático de como descobrir a CURA de uma doença

Como alunos de iniciação científica na faculdade de Química, temos a oportunidade de fazer várias coisas legais. Uma delas é criar moléculas, mais especificamente usando a Química Orgânica. Eu combinei e criei 4 moléculas inéditas com possível atividade anticancerígena e 13 moléculas inéditas com possível aplicação para inibir a Síndrome de Down. Show! Contando isso, as pessoas logo perguntam: “Então você criou a cura do câncer e da Síndrome de Down??” Desculpe, mas não. O buraco é um pouquinho mais embaixo.

O que chamamos de cura de uma doença pode vir por meio de um medicamento sintético (criado em laboratório), medicamento natural (encontrado na natureza) ou por meio de algum procedimento médico (como cirurgia). Temos todos os tipos de profissionais buscando essas curas das mais diversas maneiras, fazendo vários testes e esperando que alguma forma seja a combinação perfeita. Está muito longe de ser algo rápido e simples, porém existem muitos grupos de pessoas dedicadas a encontrar a receita ideal.

Caminhos possíveis rumo à cura!

Caminhos possíveis rumo à cura!

“Legal! Eu tenho uma planta e acho que ela pode curar enxaquecas, o que eu faço?” No caso de substâncias naturais já usadas, quem começa o trabalho é um pesquisador da área de medicina ou afins. Ele vai fazer os primeiros testes para tentar provar que a planta funciona mesmo, usando ratinhos, por exemplo. Depois de comprovada a eficiência real da planta, entram os biólogos e químicos. Eles vão caracterizar e tentar desvendar exatamente qual parte da planta causa o efeito desejado. Então, encontramos o chamado “princípio ativo” do medicamento, que ainda deve passar de novo nas mãos dos médicos para outros testes e dos farmacêuticos, para, assim, gerar um comprimido que a gente compra na farmácia.

A maior parte dos medicamentos foram descobertos através desse processo de extração da natureza e, em sua maioria, por acaso. Nesse grupo, temos a penicilina (primeiro antibiótico) e a aspirina, mas, como já dizia um famoso pesquisador chamado Pasteur, “o acaso só favorece aos espíritos preparados”. Então, temos que o acaso não funciona sozinho, por isso, estudamos bastante e observamos com muita atenção o que acontece a nossa volta.

Alexander Fleming, o cara que, um dia, “do nada”, encontrou a penicilina

Mas e as moléculas que criei? Bom, depois de descobrirmos vários medicamentos na natureza, temos bastante conhecimento acumulado e muita criatividade para que, a partir deles, possamos criar novas estruturas que não existem na natureza. Elas trilham um caminho inverso ao que foi mostrado, pois, primeiramente, eu crio o que eu acredito que tem muita chance de virar um princípio ativo, através de estudos no assunto. Depois que temos uma ou várias moléculas prontas, partimos para a parte biológica com testes in vitro (com organismos não vivos) e in vivo (em organismos vivos). Nessa parte, os biólogos e médicos testam como o medicamento se comporta dentro da gente, e se o comportamento é bom ou ruim. Se alguma molécula teve bom desempenho até esse nível, já podem ser feitos testes em humanos, o que toma mais uma série de exames e fases até que ele realmente vire um comprimido na farmácia.

Dá trabalho mesmo, viu? Bota trabalho nisso! E, como deu pra ver, o processo envolve muita gente também. Resumindo: descobrir a cura de uma doença não é fácil e não depende só de uma pessoa. A boa notícia? Nós somos brasileiros, e não desistimos nunca! A tentativa pode dar errado e, muitas vezes, isso vai acontecer: faz parte do processo científico. Cada tentativa falha é uma nova oportunidade de aprender. Outras vezes, a resposta vai parecer que surgiu do “nada”. O importante é nunca deixar de aprender e agregar informações, sempre ter um propósito forte para seguir e, principalmente, amar o que você faz!

Uma pessoa apaixonada por ciência, tecnologia e inovação. Formada em Química pela UFJF e atualmente fazendo mestrado em Engenharia Química na UFRJ. Nerd com orgulho, gosta de aprender e ampliar seus horizontes, seja sobre diferentes áreas ou diferentes culturas. Fala inglês, francês e está melhorando no espanhol. Adora ler, patinar, pintar, meditar, filosofar, dançar, viajar (e outras coisas que às vezes não cabem no mesmo espaço-tempo). Acredita que, junto ao conhecimento geral sobre as coisas e o mundo, devemos também buscar sempre o conhecimento pessoal.

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About Fernanda Neumann

Uma pessoa apaixonada por ciência, tecnologia e inovação. Formada em Química pela UFJF e atualmente fazendo mestrado em Engenharia Química na UFRJ. Nerd com orgulho, gosta de aprender e ampliar seus horizontes, seja sobre diferentes áreas ou diferentes culturas. Fala inglês, francês e está melhorando no espanhol. Adora ler, patinar, pintar, meditar, filosofar, dançar, viajar (e outras coisas que às vezes não cabem no mesmo espaço-tempo). Acredita que, junto ao conhecimento geral sobre as coisas e o mundo, devemos também buscar sempre o conhecimento pessoal.